Por Fundacentro – Hipertensão arterial, idade igual ou superior a 45 anos no sexo masculino e hiperglicemia são fatores de risco mais prevalentes entre bombeiros. É o que aponta estudo publicado pela Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), com 247 pessoas entrevistadas, das quais 72,5% (179) são homens. Mais da metade dos entrevistados apresentaram alto risco para doenças cardiovasculares (DCV). A proporção de ocorrência de sinais e sintomas sugestivos de doenças cardiometabólicas (DCM) em mulheres foi maior que entre os homens. Já a HAS (hipertensão arterial sistêmica) foi o fator de risco mais prevalente para DCV, tanto em homens quanto em mulheres.
O artigo Prevalência de fatores de risco cardiometabólicos em bombeiros militares brasileiros de ambos os sexos apresenta estudo descritivo, com amostra não probabilística. A coleta de dados, por formulário on-line, foi realizada em 2023. O questionário de estratificação dos riscos cardiovasculares, adaptado das diretrizes do American College of Sports Medicine (ACSM), era dividido em três partes: presença de fatores de risco cardiometabólicos; presença de sinais ou sintomas sugestivos de DCM; e conhecimento de diagnóstico prévio de DCM, como diabetes e doença coronariana.
Os entrevistados relataram ter hipertensão arterial (38,5%), hiperglicemia (30,8%) e hipercolesterolemia (20,2%). No entanto, 30,4% dos participantes desconheciam seu perfil lipídico, que evidencia os níveis de gordura, e 58,7% não souberam reportar se a glicemia estava dentro ou fora da faixa de normalidade. Logo esses fatores de risco podem estar subestimados. Mesmo assim é possível afirmar que a maioria dos participantes (52,6%) apresentou alto risco cardiovascular, sendo a prevalência maior no sexo feminino (73,5%).
Também se avaliou o nível de atividade física por meio do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) validado para o português, em que se dividiu os participantes em ativos e inativos. Apenas 15,4% eram fisicamente inativos, e 43,7% apresentavam IMC (Índice de Massa Corpórea) dentro da faixa de normalidade. A proporção de bombeiros do sexo masculino acima do peso foi quase duas vezes maior ao do sexo feminino. No entanto, as prevalências de sobrepeso e obesidade foram inferiores àquelas registradas na população geral.
"Os achados são muito preocupantes tendo em vista as elevadas demandas físicas e emocionais características da profissão", avaliam os autores Alessandro de Oliveira, Kevin Barreto, Américo Costa e Luiz Porto, pesquisadores da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília. Os autores mostram ainda que os resultados encontrados são coerentes com o que foi encontrado em bombeiros de outros países.
Fonte: https://protecao.com.br/noticias/geral/estudo-aponta-fatores-de-risco-cardiometabolicos-mais-prevalentes-entre-bombeiros/

